


Fotos: Izolda Ellen
Jóia que “índio” não usa
Com a consciência ecológica em alta, um mercado ganha cada vez mais destaque por causa da matéria-prima utilizada e a própria exclusividade de cada peça: o de biojóias. Produtos nativos da Amazônia, de origem sustentável, com detalhes em ouro ou prata combinados ao trabalho de designers amazonenses como Lílian Schreiner, Rita Prossi e Jander Cabral refinam o trabalho.
Sementes como a do açaí, morototó, tucumã, couro de peixes, palhas, paxiúba, tento(olho-de-dragão), uxi e a jarina (conhecida como o marfim vegetal) transformam-se em colares, braceletes, gargantilhas, colares, brincos, anéis, broches atendendo aos consumidores mais exigentes. “As peças mais procuradas são as de sementes de tucumã com prata e palha de arumã com prata. O mercado interno vem crescendo, principalmente os estados, São Paulo, Rio de Janeiro, Rondonia e Brasília”, disse Rita Prossi em relação à comercialização das biojóias no Brasil.
Os designers procuram inspiração na própria natureza, as coleções lembram espinhas de peixe como a de Schreiner. Prossi cria a partir das lendas e mitos da região, surgindo a inspiração, o tema, a pesquisa, os desenhos, o desenvolvimento, a peça piloto
As biojóias conquistam principalmente o mercado estrangeiro, graças a este publico é injetado uma parcela considerável ao mercado interno segundo o Instituto Brasileiro de Gemas e Jóias(IBGM), seus principais compradores são: Alemanha, Inglaterra, Japão, Suíça, Holanda, França, Grã Bretânia e Estados Unidos. “Esses investimentos variam mensalmente até R$ 5 mil aplicados na linha de produção das coleções”, afirma Cabral “Apesar das biojóias já fazerem parte dos produtos exportados ainda são desconhecidas ou não tão valorizadas pelos amazonenses”. A falta de estrutura e investimento por parte do governo contribui para essa falta de conhecimento “Deveria existir um lugar para compor, um centro organizado, onde pudéssemos expor as biojóias, ligado a hotéis ajudaria na divulgação das biojóias, melhoraria não apenas para mim, mas para todos os designers amazonenses ”, desabafou Prossi.
Para a empresária o porcentual exportado ainda é pequeno, anualmente em torno de 5% do faturamento. A marca Rita Prossi gera cerca de 50 empregos diretos, que variam do artesão ao web master, tendo principal designer Prossi.
A designer utiliza ainda uma parceria com os Walmiri e Saterê com os trançados em palha e divulgando a cultura dessas comunidades, peças metade industrial e metade artesanal. O uso de sementes não-germináveis e qualidade é prioridade para o destaque da marca e ao próprio meio ambiente segundo a empresária. “Creio que seja os anos de experiência, com 12 anos de mercado, já passei por situações diversas que enriqueceram meus conhecimentos. Outra coisa é o amor que sinto pelo meu trabalho, posso não ganhar dinheiro, mais procuro sempre a perfeição, a qualidade, e agradar meus clientes, porque o cliente, em minha opinião, é ator principal, e costumo pagar os melhores cachês, pra mantê-los no meu palco” (risos) comenta Prossi ao falar do diferencial que mantêm em relação a outros designers.

Nenhum comentário:
Postar um comentário