sexta-feira, 9 de abril de 2021

Grafite - revista


DO CARVÃO AO SPRAY

Ao darmos um giro pelas ruas da cidade vemos uma “repaginação” do espaço urbano, desenhos, letras e formas geométricas com cores vibrantes transformam muros, fachadas, edifícios, casas abandonadas, banheiros públicos, nada escapa desta arte contemporânea.
Para alguns, vandalismo, para outros, cultura urbana. Mas, que tipo de arte é essa que não precisa de um espaço físico para ser visitado e que causa divergência nas opiniões? Estamos falando do grafite. Segundo o antropólogo Cláudio Bertolli o grafite reinvindica uma identidade através do registro da mensagem.
Você pode pensar que o grafite é algo novo, certo? Errado, e para entender de onde surgiu primeiramente verificamos o nome grafite no dicionário- palavra de origem italiana graffitti significa “marca ou inscrição feita em um muro”, receberam esta denominação desde o Império Romano (Grécia Antiga e em Pompéia). Alguns estudiosos no assunto acreditam e fazem referencias ao grafite àquelas inscrições em cavernas na Pré-história fundindo-se à própria história da escrita, não tendo como ser comprovada esta teoria.
No final séc. XX, mais precisamente na década de 60, ressurgem os caligrafites ou grafite-mensagens em alguns muros de Paris como protesto. No ano de 1968 em Nova Iorque, apareceram as primeiras manifestações com a mensagem filosófica nos muros de Sorbonne “Seja realista: exija o impossível” .
Para entender esse universo híbrido é necessário compreender que o grafite não está sozinho, está inserido na cultura Hip Hop que são quatro: o MCs, DJ, Break e o grafite. Além de estar intrísicamente associado a esportes radicais como skate, basquete de rua, moto free style. Koll Herc, nascido na Jamaica em 1967 saiu de Kingston para Nova Iorque é considerado o pai do Hip-Hop.
O movimento ganhou espaço nos subúrbios de Bronx, cidade dos Estados Unidos, antes residido pela classe média, descendentes de alemães, irlandeses, italianos e judeus transformando-se aos poucos em moradores latinos e afro-descendentes de classe baixa. Por causa do elevado índice de desemprego, jovens envolviam-se com drogas e com a criminalidade. Em 1968 surgem grupos de adolescentes que aterrorizavam as ruas como o “Savage Seven” (sete selvagem) e Street. gangs entre outros. Com o terror eminente, grupos de jovens canalizaram energia e tempo disponível transformando em arte e a música teve um papel fundamental no resgate social, novas crews (grupos) formavam-se e para fazer parte de uma destas era necessário não estar envolvido com o crime.
Para diferenciar-se da pichação, os writers (grafiteiros) buscaram outros materiais e a evoluindo assim os contornos, formas e cores, surgindo assim estilos como Bubble (letras mais cheias e arredondadas), Brodway (letras em blocos), Mechanical (inspiradas em metais) e Wild Stye (estilo mais complexo onde as letras se fundem formando nova composição estética).
Um grupo criado por Hugo Martinez chamado United Graffiti Artists (UGA) estabeleceu um padrão de novo à arte, realizando a primeira Exposição de Arte Grafite na faculdade CITY College em Nova Iorque com os melhores trabalhos. Jean Michel Basquiat, artista do neo-expressionismo iniciou seus trabalhos como um writer, hoje reconhecido mundialmente,
Super Kool 223, Stay High 149, Top Cat, Taki 183 formava a primeira geração dos writers. A segunda geração iniciou nos anos 80, os pieces (trabalhos elaborados) entraram em galerias de renome na Europa. Dondi, Futura 2000, Ladi Pink, Blade, Fab 5 Freddy e Lee Quiñones levaram seus pieces à mídia e Hollywood com filmes e música.
Para fugir do anonimato e divulgarem suas tags (assinaturas) grafitavam metrôs com o intuito de outros bairros notassem, uma disputa de criatividade transformando violência em ações positivas.
No Brasil, na época da Ditadura Militar, a história do grafite surge juntamente com a da pichação, continham recados amorosos, provérbios e humorísticos, São Paulo é considerada o berço do movimento. Encontros da rua 24 de maio eram freqüentes, porém com a pressão de comerciantes da rua esses encontros passaram a ser nos metrôs.
A febre do Break dance acontece nos anos 80 influenciados Lionel Ritchie, Malcom Mclarem. A novela Partido alto, da Rede Globo, utilizou alguns hip-hopeiros tupiniquins.

Exportação
















Fotos: Izolda Ellen


Jóia que “índio” não usa

Com a consciência ecológica em alta, um mercado ganha cada vez mais destaque por causa da matéria-prima utilizada e a própria exclusividade de cada peça: o de biojóias. Produtos nativos da Amazônia, de origem sustentável, com detalhes em ouro ou prata combinados ao trabalho de designers amazonenses como Lílian Schreiner, Rita Prossi e Jander Cabral refinam o trabalho.
Sementes como a do açaí, morototó, tucumã, couro de peixes, palhas, paxiúba, tento(olho-de-dragão), uxi e a jarina (conhecida como o marfim vegetal) transformam-se em colares, braceletes, gargantilhas, colares, brincos, anéis, broches atendendo aos consumidores mais exigentes. “As peças mais procuradas são as de sementes de tucumã com prata e palha de arumã com prata. O mercado interno vem crescendo, principalmente os estados, São Paulo, Rio de Janeiro, Rondonia e Brasília”, disse Rita Prossi em relação à comercialização das biojóias no Brasil.
Os designers procuram inspiração na própria natureza, as coleções lembram espinhas de peixe como a de Schreiner. Prossi cria a partir das lendas e mitos da região, surgindo a inspiração, o tema, a pesquisa, os desenhos, o desenvolvimento, a peça piloto
As biojóias conquistam principalmente o mercado estrangeiro, graças a este publico é injetado uma parcela considerável ao mercado interno segundo o Instituto Brasileiro de Gemas e Jóias(IBGM), seus principais compradores são: Alemanha, Inglaterra, Japão, Suíça, Holanda, França, Grã Bretânia e Estados Unidos. “Esses investimentos variam mensalmente até R$ 5 mil aplicados na linha de produção das coleções”, afirma Cabral “Apesar das biojóias já fazerem parte dos produtos exportados ainda são desconhecidas ou não tão valorizadas pelos amazonenses”. A falta de estrutura e investimento por parte do governo contribui para essa falta de conhecimento “Deveria existir um lugar para compor, um centro organizado, onde pudéssemos expor as biojóias, ligado a hotéis ajudaria na divulgação das biojóias, melhoraria não apenas para mim, mas para todos os designers amazonenses ”, desabafou Prossi.
Para a empresária o porcentual exportado ainda é pequeno, anualmente em torno de 5% do faturamento. A marca Rita Prossi gera cerca de 50 empregos diretos, que variam do artesão ao web master, tendo principal designer Prossi.
A designer utiliza ainda uma parceria com os Walmiri e Saterê com os trançados em palha e divulgando a cultura dessas comunidades, peças metade industrial e metade artesanal. O uso de sementes não-germináveis e qualidade é prioridade para o destaque da marca e ao próprio meio ambiente segundo a empresária. “Creio que seja os anos de experiência, com 12 anos de mercado, já passei por situações diversas que enriqueceram meus conhecimentos. Outra coisa é o amor que sinto pelo meu trabalho, posso não ganhar dinheiro, mais procuro sempre a perfeição, a qualidade, e agradar meus clientes, porque o cliente, em minha opinião, é ator principal, e costumo pagar os melhores cachês, pra mantê-los no meu palco” (risos) comenta Prossi ao falar do diferencial que mantêm em relação a outros designers.