sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

Novo Airão -


 

Biscoito ou bolacha?


“ A análise cultural é (ou deveria ser) uma adivinhação dos significados, uma avaliação das conjeturas, um traçar de conclusões explanatórias a partir das melhores conjeturas e não a descoberta do Continente dos Significados e o mapeamento da sua paisagem incorpórea”, Geertz.


Quando crianças, antes do contato com outras pessoas, o mundo é do tamanho do lugar que vivemos. As palavras e trejeitos naturais deste convívio são entendidos. Ao dar os primeiros passos dentro do ambiente escolar, além da ampliação do seu espaço, o léxico aumenta também. A entonação e expressões locais são aderidas e não percebemos, pois fazem parte do cotidiano.

Sempre usei o “tu”, dentre outras palavras comuns. Ao ter contato com outras pessoas comecei a “ocultar o meu tu” e usar o “você” por imaginar ser o correto e educado. É interessante falar que muitas vezes nossas raízes são fortalecidas exatamente quando estamos longe. Ao viajar por algumas cidades e ainda fazer o uso das redes sociais percebi que o meu “tu” não é apenas uma forma de falar, mas traz consigo minhas origens.

Se perguntar a um carioca qual é o certo biscoito ou bolacha e prontamente ele responderá biscoito. Da mesma forma se ele ouvir alguém falar bolacha saberá que aquela pessoa é de outro lugar. Assim como tangerina, mexerica ou bergamota dizem exatamente onde a pessoa vive.

Algumas frases são carregadas de significados, e, dependendo da faixa etária e da localização ganham concepções totalmente distintas. Assim, a forma interpretativa de cultura molda-se conforme as informações são feitas e repassadas.

O meu “tu” é tão meu. Faz parte de quem sou, de onde vim. Ao tomar consciência da carga cultural e emocional das palavras comecei a fazer uso do “tu” com mais frequência por este motivo.

Então, não existe o certo ou errado, apenas palavras que dizem muito sobre quem somos e de onde viemos.

 



quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

Resumo

Rádio - a evolução tecnológica


Qual a importância do rádio e da televisão para a democratização da cultura brasileira? Quais as dificuldades iniciais para a implantação desses veículos?

O surgimento do rádio é diretamente associado a época política em que o país vivenciava, posto que para a consolidação de um governo e seus ideais seria muito complexo governar regiões distintas se não houvesse um sentimento de unidade. Essa nacionalização é presenciada na época da ditadura militar, a qual o presidente Getúlio Vargas explora esse sentimento de um Brasil único, estreitando distancias.
As primeiras transmissões feitas no Brasil foram na década de 20 e um distinto grupo detinha acesso aos aparelhos, porém com o surgimento de várias emissoras e o desenvolvimento tecnológico esse elitismo rompeu-se, surgindo assim a necessidade de formação de profissionais. A nova febre que o rádio e tudo que envolvia esse universo passaram a ditar moda e comportamento da sociedade, lançando nomes como o de Francisco Alves, Emilinha Borba. Um dos fatos marcantes no pós guerra neste cenário foi a criação dos concursos de rainha e rei do rádio, Dircinha Batista foi das figura que destacaram-se neste, mantendo-se por onze anos. Na década de 50 os esportes ganharam destaque, principalmente o futebol, principalmente por causa da Copa do Mundo popularizou essa mídia. É importante ressaltar que as pessoas que não tinham condições financeiras para comprar um rádio fabricam os seus, de forma artesanal.
A chegada da televisão ao Brasil não foi diferente a do rádio, visto que não havia aparelhos televisores, nem equipamentos necessários à transmissão. Chateaubrian em 1950 inaugura a TV TUPI, duzentos aparelhos foram importados e distribuídos para algumas pessoas influentes. As transmissões eram feitas apenas com duas câmeras, a qual antes da estréia quebrou, toda a programação ensaiada com duas câmeras fora realizada com uma, surgindo o “ nosso improviso” para alguns uma marca registrada de nossa tv.No ano de 1954 a tv não divulgou a morte de Getúlio Vargas, posto que sua transmissão iniciava às quatro da tarde, porém o rádio divulgou. O Repórter Esso, sucesso na rádio surge em 1953 e permanece por 17anos. A linguagem do rádio para a tv aconteceu pela observação de uma expectadora. Vale frisar que com a explosão da televisão surgem os patrocinadores e a divulgação de seus produtos por esta e a disputa de espaço para os comerciais.
Em um país que não tem como cultura a prática da leitura é verificada o poder que a tv atinge a massa, a qual transformou a sociedade com o advento do rádio primeiramente e logo após com a tv, criando uma sociedade visual, capaz de construir sua visão de mundo através deste aparelho, moldando-se a esteriótipos e tendo como base da vida política principalmente o cenário que lhe é apresentado.

resenha texto

Referencia bibliográfica:

ABRAMO, Perseu. Padrões de manipulação na grande imprensa. In_____ Significado político da manipulação na grande imprensa.

Resumo do texto:

Entende-se por manipulação um tipo de dominação, obtida através de distorções da realidade, moldando-a, portanto, conforme seus interesses. No jornalismo, isso significa reinventar a realidade. Existem várias formas de manipular a notícia, seus padrões giram em torno de modelos definidos os quais são:

Padrão ocultação: Refere-se ao silencio ante a um fato. Filtra-se toda a informação e divide-a em fato jornalístico (de relevância a sociedade) e não jornalístico. Este segundo depende, porem da visão do jornalista, da empresa, do editor. Assim, a ocultação é um fator decisivo e definitivo nessa manipulação.

Padrão fragmentação: Após definir o que é fato jornalístico, segue-se a segunda parte, esmiúça-lo, desvinculando-o e revínculando-o, conforme a seleção de aspectos, do fato e descontextualização.
Padrão da inversão: Posteriormente à fragmentação, segue o seu reordenamento, conforme sua importância e a reinvenção da realidade.

Padrão de indução: padrões repetidos, afim de persuadir os telespectadores, “ o leitor é induzido a ver o mundo não como ele é, mas sim como querem que ele o veja”.
Padrão global: visto por ângulos mais sensíveis ou até sensacionalistas.

Apreciação crítica do resenhista:

Todo jornalista, ou melhor, toda a imprensa manipula, de uma forma ou outra, a opinião pública. Imparcialidade é algo que não existe na imprensa, em parte do mundo.
Vivemos um período informações instantâneas, e os meios de comunicação de massa assimilaram isto de tal forma que conduzem e induzem conforme seus interesses. E hoje, com as grandes tecnologias existentes, se torna ainda mais fácil induzir as pessoas a pensar e agir de uma forma que talvez nem queiram. A sociedade é levada à adesão de uma realidade reinventada, sem a menor criticidade ou legitimidade das informações obtidas.

Indicação do texto:
O texto claro, simples e bastante elucidativo, sendo indicado para os estudantes universitários de jornalismo, para o público em geral, mas também aos especialistas em Educação, Psicologia e Publicitários, Radialistas, profissionais que atuam nos meios de comunicação.

objetividade

Referencia bibliográfica:
AMARAL, Luiz. Os difíceis caminhos da verdade. In______A objetividade jornalística. Sagra-Luzzatto, Porto Alegre, 1996.

Resumo crítico do texto:
A objetividade jornalística esbarra em diversos itens interferindo assim, no produto final, a matéria. Ao que tange informação deveria ser uma reprodução fiel à realidade, sem quaisquer apegos e interesses particulares. No jornalismo, no entanto, a realidade amodela-se conforme seus padrões e interesses os quais são:

Preconceito: A objetividade é prejudicada pelo preconceito, seja ele qual for sua natureza. Mesmo aqueles que dizem estar imunes ou despidos de quaisquer preconceitos não saem ilesos. Esse prejulgamento atrapalha a visão jornalística e distorce fatos.

Interesses materiais: Com um mundo mais globalizado e capitalista, a corrida em busca de poder e lucros, muitas vezes exorbitantes, aos donos de meios de comunicação fica cada vez mais difícil conciliar os interesses materiais da empresa com a genuína notícia sem que a mesma não tenha resquício de interesses materiais. Uma pirâmide atrativa constrói-se ao redor da notícia, cujo topo está a lucratividade e sucesso e na sua base o compromisso com a notícia e o público. Aos repórteres restam integrar-se aos interesses dos que detém o poder.

Pressa: A cobrança e a pressão que os jornalistas sofrem em entregar as matérias afetam substancialmente seu fechamento. O famoso deadline que assusta todos os jornalistas contribui para que percam o foco de suas reportagens. A pressa prejudica a objetividade de matérias do dia, porque além do tempo e espaço pré-estabelecidos em reunião de pauta devem conter o máximo de informações e correções.

Dificuldade de espaço e tempo: Lead, sublead, chamada, reportagem, reunião de pauta, fechamento, suíte, fonte, coletiva e matéria quente são alguns itens que circundam os jornalistas até a edição da mesma. Condensar, enxugar são verbos utilizados pelo editores devido ao espaço e falta de tempo a apurações de fontes. O ajuste que as matérias sofrem interferem diretamente em sua objetividade.

Omissão: Em decorrência aos pontos supracitados geram a omissão. Informações imprescindíveis sutilmente são encoberta ante ao público. Uma das maneiras mais imperdoáveis, a omissão é considerada um assalto à verdade.

Apreciação crítica do resenhista:

Nossa opinião não coincidiu com a do autor quando o mesmo cita, no texto, que um ouvinte, leitor ou telespectador nem sempre deseja conhecer a verdade, ao contrário disto, apenas a satisfação de encontrar uma determinada verdade defendida, detalhada por alguém. A partir do momento em que o ouvinte, leitor ou espectador não deseja conhecer a verdade, opta por ser enganado ou se auto-enganar, porém, não podemos deixar de considerar que mesmo buscando a verdade diariamente, a publicação de uma notícia precisa ser aprovada, a qual pode ser um dos casos onde deixa de ser uma verdade incontestável por conta de omissão, interesses, etc.
Assim, como o autor, acreditamos que como imprensa devemos ser imparciais, mesmo isso sendo uma luta constante.
A verdade jornalística deve prevalecer sempre, independente de valores ou ideologias. Visto que, jornalistas trilham sob uma linha tênue, a qual está à objetividade e a verdade e à medida que o cabedal de interesses fica evidente, esses profissionais estão imbuídos a não perderem o foco. Devido a isso os meios de comunicação deveriam ter consciência de sua responsabilidade.

Indicação do texto:

O texto claro, simples e bastante elucidativo, sendo indicado para os estudantes universitários e profissionais de Comunicação Social, tais como: jornalistas, publicitários, radialistas, assessores de imprensa, também é indicado ao público em geral.

Rádio e tv e a democratização do Brasil

Qual a importância do rádio e da televisão para a democratização da cultura brasileira? Quais as dificuldades iniciais para a implantação desses veículos?

O surgimento do rádio é diretamente associado a época política em que o país vivenciava, posto que para a consolidação de um governo e seus ideais seria muito complexo governar regiões distintas se não houvesse um sentimento de unidade. Essa nacionalização é presenciada na época da ditadura militar, a qual o presidente Getúlio Vargas explora esse sentimento de um Brasil único, estreitando distancias.
As primeiras transmissões feitas no Brasil foram na década de 20 e um distinto grupo detinha acesso aos aparelhos, porém com o surgimento de várias emissoras e o desenvolvimento tecnológico esse elitismo rompeu-se, surgindo assim a necessidade de formação de profissionais. A nova febre que o rádio e tudo que envolvia esse universo passaram a ditar moda e comportamento da sociedade, lançando nomes como o de Francisco Alves, Emilinha Borba. Um dos fatos marcantes no pós guerra neste cenário foi a criação dos concursos de rainha e rei do rádio, Dircinha Batista foi das figura que destacaram-se neste, mantendo-se por onze anos. Na década de 50 os esportes ganharam destaque, principalmente o futebol, principalmente por causa da Copa do Mundo popularizou essa mídia. É importante ressaltar que as pessoas que não tinham condições financeiras para comprar um rádio fabricam os seus, de forma artesanal.
A chegada da televisão ao Brasil não foi diferente a do rádio, visto que não havia aparelhos televisores, nem equipamentos necessários à transmissão. Chateaubrian em 1950 inaugura a TV TUPI, duzentos aparelhos foram importados e distribuídos para algumas pessoas influentes. As transmissões eram feitas apenas com duas câmeras, a qual antes da estréia quebrou, toda a programação ensaiada com duas câmeras fora realizada com uma, surgindo o “ nosso improviso” para alguns uma marca registrada de nossa tv.No ano de 1954 a tv não divulgou a morte de Getúlio Vargas, posto que sua transmissão iniciava às quatro da tarde, porém o rádio divulgou. O Repórter Esso, sucesso na rádio surge em 1953 e permanece por 17anos. A linguagem do rádio para a tv aconteceu pela observação de uma expectadora. Vale frisar que com a explosão da televisão surgem os patrocinadores e a divulgação de seus produtos por esta e a disputa de espaço para os comerciais.
Em um país que não tem como cultura a prática da leitura é verificada o poder que a tv atinge a massa, a qual transformou a sociedade com o advento do rádio primeiramente e logo após com a tv, criando uma sociedade visual, capaz de construir sua visão de mundo através deste aparelho, moldando-se a esteriótipos e tendo como base da vida política principalmente o cenário que lhe é apresentado.

DIÁRIO DA DITADURA

 (fragmento de um trabalho sobre a república o qual tínhamos que discorrer num diário sobre os acontecimentos numa perspectiva que éramos o Brasil)

O GOLPE E A REPRESSÃO

Rio de Janeiro, 13 de março de 1964, manhã nublada na cidade, não só pelo clima, mas pela crise econômica que o país todo passava. Hoje vi meu pai, arrumado não para trabalhar como de costume, tomando café e falando sobre “A luta pelos nossos direitos”. Ele e alguns de seus amigos que trabalhavam na fábrica decidiram ouvir o que Jango iria falar no comício na central do Brasil, sem entender muito bem o que falavam, fiquei ouvindo tudo.
Seis dias depois, os conservadores organizaram uma manifestação contra as intenções de João Goulart, a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, em São Paulo.
Nesse mesmo período o mundo vive auge da Guerra fria. Eu, uma criança ainda, percebia a divisão do mundo em capitalistas e socialistas.
Para reprimir nosso movimento, o governo incendeia o prédio de UNE no dia 1 de abril, gritos de pânico, ainda podia ser ouvido e o terror no rosto das pessoas por toda a parte naquele dia.Nesse mesmo ano vi o povo, insatisfeito por causa da carestia, clamar pela revolução.
Dia 31 de março tropas do exercito tomam o poder, pressionado pelos militares e para evitar uma guerra civil Jango exila-se no Uruguai.
O General Castelo Branco assume o poder, e divulga o golpe como “A Revolução Redentora”, a vitória do povo contra os tiranos. Um homem com semblante ...
A tensão era tamanha, a maioria dos colegas haviam sido presos e torturados, acusados de subversão, e no dia 26 de junho de 1964 conseguimos reunir 100mil pessoas numa passeata.
Repressão a todo e qualquer ideologia contrária ao governo, livros confiscados, a censura era implacável à imprensa, os filmes que todos nós queríamos ver passavam primeiro pelos censores. Não lembro a data exata, só lembro que no ano de 1970 foi instituída a pena de morte.
Não me considerava politizada, lutava por algumas causas, mas eram apenas isso, não tinha paixão ao que fazia. Mudei completamente minha opinião ao entrar na Universidade do Rio de Janeiro (UFRJ), conheci um grupo de estudantes que se entitulavam como militantes socialistas, mas para meus pais não passavam de estudantes subversivos. Um desses estudantes era Stuart Edgar Angel Jones, sempre envolvido com os movimentos me desperta o interesse pela política.
Pouco tempo depois eu, República federativa do Brasil, já estava envolvida em meio a passeatas, tumultos, em busca da liberdade, dos direito que cada indivíduo deveria ter, mas naquela ocasião, não tinham.

SOB O VÉU DA DITADURA

Enquanto muitos vibravam pelo tricampeonato, nós militantes, reuníamos na casa de outros companheiros para discutir sobre a política, filosofávamos e foi nesta mesma ocasião, em uma dessas ocasiões que experimentei um cigarro de maconha. A sensação que tive que as idéias que eram discutidas eram rapidamente absorvidas juntamente com a fumaça.
Conheci Chico Buarque, Caetano Veloso e Nara Leão que nos ajudavam na divulgação das idéias revolucionárias com suas canções com conteúdo de protestos pacífico.
Nos “anos de chumbo” foi um dos períodos mais agressivos que me recordo. Chico, Nara Leão e muitos outros artistas foram perseguidos, muitos deles saíram do país. Com os idéias de Ernesto Che Guevara, muitos dos companheiros foram as ruas, assaltavam bancos e conhece Lamarca. Numa dessas investidas e fugas o companheiro Stuart decide viver na clandestinidade. Nunca irei esquecer dia 14 de maio de 1971, aquela tarde de sol, Stuart, vestido com calça jeans, camiseta branca e uma jaqueta escura, fomos presos. Choques, pontapés, tapas, espancamentos viraram nossa rotina. Em uma das sessões de tortura já não sentia mais as chicotas, os choques, os gemidos de dor e angustia, eles queriam saber o paradeiro do companheiro Lamarca. Não cedemos as torturas e os castigos aumentaram, e Stuart não resistiu. Tentei avisar sua mãe, mas ela não acreditou, percorreu em todos os lugares prováveis. Embora nossas famílias, representadas por advogados, tentassem nos libertar o governo extinguiu o Hábeas Corpus.
Após muito sofrimento e muitas mortes, alguns dos nossos companheiros viram uma abertura política lenta, a redemocratização, mas o que era exatamente isso? alguns viam com certo temor outros porém recebiam com entusiasmo.
Um grupo pequeno foi às ruas e aos poucos vi estudantes, jornalistas, artistas, intelectuais, jogadores de futebol e muitos outros brasileiros unirem-se a esse movimento, o Diretas Já e nossa voz foi ouvida.
Com o fim da ditadura, pensamos que Tancredo Neves, da Aliança Democrática fosse o primeiro presidente. Para a nossa surpresa, Tancredo, antes de assumir fica doente e morre. José Sarney, seu vice-presidente, assume o governo. A Constituição de 1988 tentou apagar os rastos da ditadura, mas essas cicatrizes marcaram não apenas os corpos de muitos companheiros que acreditando nos ideais de liberdade, mas carregam na memória que muitos tentam esquecer.