A hora do adeus
Com um jeito manso
Que me fez descanso
Chegou assim
De mansinho
Devagarinho
Fui me acostumando com tuas vindas
Tuas alegrias
Com a hora chegada
Com os risos compartilhados
Do acaso
Do inesperado
Foi fácil me acostumar
Inversamente ao que a raposa ensinou ao principezinho
Aconteceu
Pouco a pouco fomos
nos despedindo,
indo,
Sem dizer adeus
So indo
E do anseio quase sufocante
E da alegria inebriante
Das primeiras palavras do dia
E das intermináveis despedidas
Resumimos-nos ao trivial e educado bom dia
Porém, vida nos ensina deixar ir
Quando a alma não grita pela presença
Quando a urgência não é mais uma sentença
Quando a própria ausência já é esperada
Cabe a percepção de saber que a hora é chegada
Que não nos cabe mais ficar
De dizer adeus sem fraquejar
Por isto,
Digo adeus com um sorriso nos lábios
Pelas doces lembranças que levarei sempre comigo
Digo adeus
Ah! Deus!
num suspiro aliviado
Digo adeus agradecida
pela dádiva obtida
por ter vivido e falado
Agradecida pela inspiração até na despedida
Deste momento existente
Num universo paralelo
E na memória persistente
E persistirão uma eternidade
Em cada traço descritos
E vividos cada vez que forem lidos.
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