quinta-feira, 27 de maio de 2021

Poema da despedida

 A hora do adeus


Com um jeito manso

Que me fez descanso

Chegou assim

De mansinho

Devagarinho


Fui me acostumando com tuas vindas

Tuas alegrias

Com a hora chegada

Com os risos compartilhados

Do acaso

Do inesperado

Foi fácil me acostumar

 

Inversamente ao que a raposa ensinou ao principezinho

Aconteceu

Pouco a pouco fomos 

nos despedindo,

indo,

Sem dizer adeus

So indo


E do anseio quase sufocante

E da alegria inebriante

Das primeiras palavras do dia

E das intermináveis despedidas

Resumimos-nos ao trivial e educado bom dia


 Porém, vida nos ensina deixar ir 

Quando a alma não grita pela presença

Quando a urgência não é mais uma sentença

Quando a própria ausência já é esperada

Cabe a percepção de saber que a hora é chegada

Que não nos cabe mais ficar

De dizer adeus sem fraquejar


Por isto, 

Digo adeus com um sorriso nos lábios

Pelas doces lembranças que levarei sempre comigo

Digo adeus

Ah! Deus! 

num suspiro aliviado 

Digo adeus  agradecida 

pela dádiva obtida

por ter vivido e falado

Agradecida pela inspiração até na despedida

Deste momento existente

Num universo paralelo 

E na memória persistente

E persistirão uma eternidade

Em cada traço descritos

E vividos cada vez que forem lidos.


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