segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Resenha


BAY, Michael. A Ilha. Warner Bros, 2005.
A trama desenvolve-se em um cenário futurista, meados do século XXI, colocando em voga assuntos como clonagem humana e a comercialização em decorrência a esta. Expõe ainda, de forma clara, moral e ética versus vaidade e rentabilidade. Na luta contra o tempo, homens e mulheres aliam-se à tecnologia buscando a juventude eterna. Processos de clonagem, como o da ovelha Dolly, povoam o imaginário de muitos, movimentando este novo mercado. A ovelha nasceu no ano de 1996, trouxe a baila o estudo de células tronco e possibilidades que acarretam negativa e positivamente.
O cineasta Michael Bay além de A Ilha, tem em seu curriculum filmes como Transformes, Pearl Harbor, Armagedon, quando questionado sobre referencial e semelhanças como outros cineastas os nomes que preenchem sua lista são os de George Lucas e Steve Spilberg. Produções totalmente hollywoodianas, filmes com muita ação e explosão são suas marcas. Bay é presidente da empresa de efeitos especiais aventa a possibilidade de inserção no mercado de games e o investimento no desenvolvimento de programas de efeitos para a reprodução de movimentos humanos totalmente digitalizados.
A primeira seqüência do filme Lincoln 6 echo (Ewan McGregor) vive em um complexo, a qual todos os moradores, chamados de residentes, praticam as mesmas atividades, vestem-se de branco, recebem instruções digitais, manipulam aminoácidos em um laboratório, orientados desde a leitura ao distanciamento do contato físico uns com os outros, a memória comum é implantada por lavagem cerebral, além de estimularem o desejo de ir para a Ilha. É nesta fase que Lincoln começa seus questionamentos, desenvolvendo um senso crítico não-estimulado, palavras em sonhos surgem como “Renovatio” cujo significado do latim é renascimento.
Na seqüência seguinte é observado que os residentes são tratados como produtos e Jordan Two Delta (Scarlett Johansson) é escolhida para ir a Ilha. Através da amizade de Lincoln e McCord, um dos responsáveis pela manutenção de maquinas captura um inseto voador, seguindo-o à superfície descobrindo a farsa da loteria e da ilha ao ver a morte de duas pessoas a qual uma delas foge consciente do centro cirúrgico.
A terceira seqüência Lincoln 6 Echo e Jordan Two Delta saem do complexo subterrâneo, vêem-se em um deserto. Nesta mesma seqüência modelos e empresário ouvem sobre os agnatos que são mantidos em estado vegetativos para fins de reposição de órgãos a seus patrocinadores e a controvérsia do idealizador ao contratar agentes para capturá-los.
Nesta seqüência é o clímax da história, posto que Lincoln encontra seu patrocinador juntamente com Jordan, descobrindo recordações que não são suas, esses buscam ajuda. A perseguição é acirrada e o patrocinador denuncia os dois. Ao perceber a traição Lincoln habilmente troca de lugar com o patrocinador, o qual é morto pelo agente contratado para capturá-los, volta ao abrigo e liberta os clones.
O filme termina com cenas semelhantes às do início, tais como o barco “ Renovatio” Jordan de Branco e Lincoln navegando.
Um filme bem produzido poderia ser mais um de ficção científica, porém equilibra ficção, ação e romance como pano de fundo. Com roteiro concatenado a este assunto faz o expectador pensar em todo o processo de clonagem humana e a relevância de estudos envolvidos, outro ponto envolvido é qual seria a forma correta de conceituarmos tais indivíduos: humanos, animais ou meros produtos? Um questionamento levantado no filme é a busca de respostas ligada ao ser humano e ainda o desenvolvimento de memória ativa nos clones, mesmo que no filme estes estarem afastados de quaisquer experiências e a escolha de um destino diferente de seu doador.

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