“ A análise cultural é (ou
deveria ser) uma adivinhação dos significados, uma avaliação das conjeturas, um
traçar de conclusões explanatórias a partir das melhores conjeturas e não a
descoberta do Continente dos Significados e o mapeamento da sua paisagem
incorpórea”, Geertz.
Quando crianças, antes do contato com outras pessoas, o mundo é do
tamanho do lugar que vivemos. As palavras e trejeitos naturais deste convívio são
entendidos. Ao dar os primeiros passos dentro do ambiente escolar, além da
ampliação do seu espaço, o léxico aumenta também. A entonação e expressões
locais são aderidas e não percebemos, pois fazem parte do cotidiano.
Sempre usei o “tu”,
dentre outras palavras comuns. Ao ter contato com outras pessoas comecei a “ocultar
o meu tu” e usar o “você” por imaginar ser o correto e educado. É interessante
falar que muitas vezes nossas raízes são fortalecidas exatamente quando estamos
longe. Ao viajar por algumas cidades e ainda fazer o uso das redes sociais percebi
que o meu “tu” não é apenas uma
forma de falar, mas traz consigo minhas origens.
Se perguntar a um carioca qual é o certo biscoito ou bolacha e
prontamente ele responderá biscoito. Da mesma forma se ele ouvir alguém falar
bolacha saberá que aquela pessoa é de outro lugar. Assim como tangerina,
mexerica ou bergamota dizem exatamente onde a pessoa vive.
Algumas frases são carregadas de significados, e, dependendo da
faixa etária e da localização ganham concepções totalmente distintas. Assim,
a forma interpretativa de cultura molda-se conforme as informações são feitas e
repassadas.
O meu “tu” é tão meu. Faz parte de quem sou, de onde vim. Ao tomar
consciência da carga cultural e emocional das palavras comecei a fazer uso do “tu”
com mais frequência por este motivo.
Então, não existe o certo ou errado, apenas palavras que dizem
muito sobre quem somos e de onde viemos.
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